quinta-feira, 30 de setembro de 2010

BOTAFOGO X FLAMENGO - 30/09

















Sem dois de seus principais jogadores, Maicosuel e Marcelo Mattos, o Fogão encara o Flamengo em crise no Engenhão. Espero que não ressuscitemos o time rubro-negro.






PODEROSO TIMINHO X FOGÃO



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Por Gustavo Gaburah
Blablagol
Assistir jogo transmitido pela Globo é um castigo.
Por mais que o Galvãozinho e os comentaristas tenham tentado me convencer durante 90 minutos, o curintias não é isso tudo. O todo-poderoso não tem nada demais.
Ontem abriram o placar logo aos 2 minutos de jogo com um belíssimo gol. E só. O Botafogo se arrumou e dominou as ações no primeiro tempo. Na segunda etapa, durante uns bons 20 minutos, a paulistéia pressionou o Fogão dando a impressão que faria mais uns dois, muito mais por incompetência do alvinegro carioca (que recuou em excesso trazendo o timaum para seu campo) do que por objetividade.
Como resultado, tomou três ou quatro contra-ataques que poderiam ter definido o jogo a favor do Glorioso.
Mas o que definiu este empate (que poderia ter facilmente sido convertido em outra vitória do Botafogo) foram os destaques. Vamos a eles:
  • El LocoÍDOLO, perdeu logo de cara um gol que jamais vai perder de novo. Já fez outros muito mais difíceis. Imaginei que ele faria uns três ontem só de raiva. Fez um e poderia ter feito mais, não fossem os outros destaques;
  • Somália na defesa X Somália no ataque. Se o Usain Bolt é um leão no desarme, na hora de apoiar o ataque merece uma surra de pau. Ontem me arriscou duas improváveis bolas de fora da área enquanto havia companheiros livres de marcação tanto pela direita quanto pela esquerda em clara posição de gol. Deu raiva;
  • Herrera jogou muito. Fez um gol inclusive, escandalosamente mal anulado pela arbitragem. Uma VERGONHA, uma ROUBALHEIRA que não tem a mínima condição de defesa. O bandeira marcou um impedimento que os comentaristas nem precisaram de replay pra julgar, muito embora o Wrong ainda tenha tentado. Joel enlouqueceu (com razão) e gritou o que todo mundo queria gritar: “ENTREGA LOGO A TAÇA PRA ELES!”;
  • LF fez partida bem superior à última. Cadenciou a bola no meio-campo, apareceu bem nas coberturas da defesa e fez a armação ter cérebro. Saiu para a entrada de um Renato Cajámeio afobado, mas que apoiou bem o ataque com o Loco;
  • CAIO. Ainda nem entrei no Twitter hoje, mas imagino a quantidade de protestos e xingamentos endereçados a este moleque. Pra quem não viu: último minuto de jogo, falta na intermediária a favor do Botafogo. O Loco cobra (mais uma vez) inteligentemente e rápido, pegando toda a defesa curintiana com as calças na mão. Caio recebe no meio de dois, ajeita, levanta a cabeça, vê o Loco entrando livre livre LIVRE pela direita e Cajálivre livre LIVRE pela esquerda. E chuta por cima do gol. O juiz apita, Loco, Cajá, o banco inteiro e a torcida do Botafogo em todo o Brasil partem pra cima do pivete, protegido por LF e Somália – que mesmo assim passaram uma descompostura. O pirralho dá entrevista no fim e é retirado por Joel (“Vai tomar uma água pra esfriar essa cabeça”). Não tem desculpa. Coisa de moleque. Merece suspensão, multa, advertência, surra, xingamento e tudo mais que for cabível. Eu vou xingar no Twitter. Ele merece;
  • Joel escalou o time explorando as fraquezas do todo-poderoso - que não são poucas. E mais uma vez o Botafogo poderia ter vencido com certa facilidade até, não fossem ospreciosismos inoportunos de Somália e Caio. Empate não foi bom resultado, e cada vez nos afastamos mais da ponta.
O Fluminense agradece. Eu avisei.
*****
Caio merece uma massagem no sábado de aleluia.

Aconselha o caio, Joel. A torcida ajuda de boa-vontade.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

SÓ R$25,00

Um homem chegou em casa tarde do trabalho, cansado e irritado encontrou o seu filho de 5 anos esperando por  ele na porta . 


- "Pai, posso fazer-lhe uma pergunta?" 


- "O que é?" - respondeu o homem. 
- "Pai, quanto você ganha em uma hora?" 


- "Isso não é da sua conta. 


Porque você esta perguntando uma coisa dessas?", 


o homem disse agressivo. 


- "Eu só quero saber . 


Por favor me diga, quanto você ganha em uma hora?" 


- "Se você quer saber, eu ganho R$ 50 por hora." 
- "Ah..." o menino respondeu, com sua cabeça para baixo. 


- "Pai, pode me emprestar R$ 25,00?" 
O pai estava furioso, 


"Essa é a única razão pela qual você me perguntou isso? Pensa que é assim que você pode conseguir algum dinheiro para comprar um brinquedo ou algum outro disparate? 


Vá direto para o seu quarto e vá para a cama. 
Pense sobre o quanto você está sendo egoísta", 
"Eu não trabalho duramente todos os dias para tais infantilidades." 


O menino foi calado para o seu quarto e fechou a porta. 
O homem sentou e começou a ficar ainda mais nervoso sobre as questões do menino. 


- Como ele ousa fazer essas perguntas só para ganhar algum dinheiro? 


Após cerca de uma hora, o homem tinha se acalmado e começou a pensar. 
Talvez houvesse algo que ele realmente precisava comprar com esses R$ 25,00 e ele realmente não pedia dinheiro com muita freqüência. 


O homem foi para a porta do quarto do menino e abriu a porta. 


- "Você está dormindo, meu filho?", Ele perguntou. 
- "Não pai, estou acordado", respondeu o garoto. 
- "Eu estive pensando, talvez eu tenha sido muito duro com você a pouco?", afirmou o homem. 


"Tive um longo dia e acabei descarregando em você. 


Aqui estão os R$ 25 que você me pediu." 


O menino se levantou sorrindo. "Oh, obrigado pai!" gritou. Então, chegando em seu travesseiro ele puxou alguns trocados amassados.


O homem viu que o menino já tinha algum dinheiro, e começou a se enfurecer novamente.


O menino lentamente contou o seu dinheiro, em seguida olhou para seu pai. 


- "Por que você quer mais dinheiro se você já tinha?" - Gruniu o pai. 
- "Porque eu não tinha o suficiente, mas agora eu tenho", respondeu o menino. 


- "Papai, eu tenho R$ 50 agora. 


Posso comprar uma hora do seu tempo? Por favor, chegue em casa mais cedo amanhã. 


Eu gostaria de jantar com você." 


O pai foi destroçado...
Ele colocou seus braços em torno de seu filho, e pediu o seu perdão. 


É apenas uma pequena lembrança a todos nós que trabalhamos arduamente na vida.
Não devemos deixar escorregar através dos nossos dedos o tempo sem ter passado algum desse tempo com aqueles que realmente importam para nós, os que estão perto de nossos corações.


Não se esqueça de compartilhar esses R$ 50 no valor do seu tempo com alguém que você ama. 


Se morrermos amanhã, a empresa para a qual estamos trabalhando, poderá facilmente substituir-nos em uma questão de horas, mas a família e amigos que deixamos para trás irão sentir essa perda para o resto de suas vidas. 

JOBSON ESSA É A TUA HORA!



NOTICIA DO GE

Apesar do heroico empate em 2 a 2 com o Vasco, o Botafogo terá muitas dificuldades para recompor o time que vai enfrentar o Atlético-PR, neste domingo, no Engenhão. Maicosuel deixou a partida no primeiro tempo com uma torção no joelho esquerdo, e dificilmente terá condição de atuar. Loco Abreu, Herrera e Danny Morais levaram o terceiro cartão amarelo, e Antônio Carlos, além de machucado, não poderá ser escalado por pertencer ao Furacão.

O departamento médico e a preparação física terão influência na formação da equipe que enfrenta o Atlético-PR. Jobson está em fase final de recuperação de um estiramento na coxa esquerda e deve retornar após quase um mês de ausência. Marcelo Cordeiro, que também sofreu lesão muscular, também pode reaparecer, mas com menor chance.
Após a partida contra o Vasco, Leandro Guerreiro lamentou o grande número de jogadores indisponíveis e desabafou contra um calendário que classificou como impiedoso.

- É um jogo em cima do outro. Jogador tem músculo, tem carne, e um dia estoura. Mas vamos descansar o máximo possível até domingo e buscar a vitória sobre o Atlético-PR, que será muito importante - destacou.

TEM MUITA RAÇA, TEM CULHÃO.

Hoje quando saí do trabalho, no centro da cidade, estava convicto de que embarcaria no primeiro trem da super via, via engenho de dentro, deu tudo errado, não importa dizer o que aconteceu, o destino não deixou.
Depois da saída dos “Marcelos”, principalmente Mattos, o Botafogo voltou a ser vulnerável, Fahel é muito fraco, ruim demais, com ele no time os jogadores medianos se tornam piores, parece um câncer, está ali, mas pra tirar é difícil, ah! Como torci pra ele ser expulso! Em duas jogadas pela esquerda em cima de Alessandro, sozinho na marcação, o Vasco fez seus gols com Ramon e Éder Luis, mas poderia ter feito mais em contra ataques.
No caminho de casa, mais contratempos, pra completar, recebi um torpedo provocativo de uma amiga vascaína quando o Vasco fez o segundo gol, antes da bateria do meu celular ir pro beleléu.
Em casa, já no segundo tempo, o repórter noticia que Maurício Assumpção desceu o cacete no vestiário. O Vasco sempre entrega os jogos no segundo tempo, mas quando Cazalberto entrou pensei, dessa vez vão matar o jogo!
O time cruzmaltino é muito forte fisicamente. Dedé, que tirou Abreu do sério, Titi, “oh! Bendita mão” Nilton, Rafael carioca, Fellipe Bastos e Cazalberto que no MMA receberia uma punição pela cotovelada em Fábio (sic), são jogadores muito fortes, ganhavam quase todas. O árbitro deixou de marcar uma “pancada” de faltas. Herrera foi justamente expulso pela pisada em Zé Roberto, mas foi caçado em campo, levou uma banda do Ramon e o juiz ainda amarela Alessandro por reclamação.
Mesmo tomando de dois, o Botafogo não esboçava nenhuma força, até que PC Gusmão entra com Nunes no lugar do Espetacular Éder Luis.
Botafogo com um a menos, bagunçado, com jogadores improvisados, eu não sabia se Edno era lateral, ou se Somália era meia, Caio era ala ou lateral. O mesmo abacaxi que Lúcio Flávio segurava, Renato está segurando, um time de jogadas manjadas e sem criatividade, dependente de lampejos de Maicosuel.
Enquanto Abreu ajeitava a grama na cal, eu torcia pra que dessa vez ele comemorasse o tento, depois de tudo que aconteceu, queria extravasar. Pois sim, comemorei como louco.
Botafogo empatou com Herrera e Abreu, raça e força que lhe faltou no primeiro tempo, e que sobrou ao Vasco, pois na técnica, só o Vasco jogou.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Agora quem dá bola é o Neymar...

O Santos tem dono: Neymar
Ilan House

O Santos demitiu Dorival Jr.


Dorival era chefe de Neymar. O subordinado que desobedeceu, xingou, humilhou e desacatou o chefe.


O projeto de craque que desrespeitou adversários, companheiros, torcedores e fez a própria mãe chorar.


Neymar é o melhor jogador do Santos. Mas Dorival preferiu corrigi-lo – pensar no jogador e no clube a médio prazo - do que beneficiar a si próprio que, sem Neymar, ficaria com o time mais enfraquecido.


Dorival tirou o moleque de um jogo e tiraria de outro. Estava certo? Talvez. Pode ser que não. Mas era ele, só ele, o mais indicado para avaliar.


Certo ou errado, era o comandante; sério, competente, e que levantou dois títulos pelo Santos este ano.


Dorival foi demitido – ou foi forçado a pedir demissão – porque não aceitou escalar o rebelde na marra. A desculpa da diretoria – que até cinco minutos antes o julgava capaz de tomar decisões - é insubordinação do técnico. Tão esdrúxula quanto fantasiosa.


O Presidente Luis Álvaro e seus colaboradores não percebem, mas acabam de piorar ainda mais uma cabeça que já não é das melhores: Como vai ficar o clima entre Neymar e os companheiros? E com outros colegas do futebol?


E a torcida? Vai engolir erros do garoto? Pênaltis perdidos? Derrotas?


Neymar não pode mais errar.





Tudo pareceria muito difícil de entender, absurdo demais para acreditar, errado ao extremo para ser verdade.


Mas não é.


Porque o grande Santos, bicampeão mundial, nove títulos nacionais, dezoito paulistas, berço do maior jogador de todos os tempos, tem agora uma diretoria desmoralizada, um futuro técnico decorativo, e um dono:


Neymar.
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Dorival fora do mundo paralelo de Neymar
Marcelo Barreto

O que você fazia aos 18 anos? Talvez já tivesse assinado seu primeiro contrato profissional, mas provavelmente não para receber 600 mil reais por mês. E é difícil imaginar que já ganhasse 60 mil – mais do que muitos executivos de multinacional – desde os 13, quando seu salário ainda precisa ir para a conta de alguém mais velho. Qual de nós tem em sua própria experiência de vida elementos para julgar Neymar? (Uma pausa antes de passar ao restante do texto: este primeiro parágrafo não questiona a legitimidade do dinheiro que o jogador do Santos ganha, apenas reflete sobre o impacto que tem na cabeça de alguém tão jovem.)

Neymar vive em outro mundo, o mundo paralelo dos jogadores de futebol – que não é feito só de dinheiro, mas de poder também. O poder que experimentou de novo agora há pouco, quando a diretoria do Santos demitiu Dorival Júnior por ter sido xingado por ele. O ofensor foi multado e suspenso por um jogo. Seria por mais um, mas aí o ofendido caiu. E será uma grande surpresa para este blog se sua queda não tiver grande aprovação da torcida do Santos.

Neymar é do Santos, Neymar tem que jogar; contra o Corinthians, mais ainda. Revogam-se todas as disposições em contrário. O olhar do torcedor, por natureza e direito, não precisa alcançar mais longe do que isso – não precisa sequer alcançar o outro lado da arquibancada, desde que isso não chegue ao ponto de ameaçar o convívio em sociedade. Quem tem de enxergar mais longe, por dever de ofício, é quem trabalha com o futebol – mesmo que esse trabalho seja voltado para apenas um clube, como é o caso da diretoria do Santos.

A expressão “criar um monstro” já foi muito usada nos últimos dias sobre Neymar e provavelmente se repetirá nos próximos. A diretoria do Santos talvez prefira “proteger o patrimônio”. Demitir Dorival por causa de seu principal jogador pode significar uma coisa e outra. O risco para o Santos é que, no momento de demitir o treinador, os dirigentes tenham se comportado como os torcedores, com seu olhar enviezado.

Quanto a Neymar, o monstro pode ainda não estar criado, mas o risco é grande. Xingar o treinador e os companheiros de time por não ter batido um pênalti é feio, coisa de garotinho mimado. Chamar os adversários de pobres, fazer alusão a sua origem nordestina, repetir para eles seu próprio salário milionário e dizer que não pode ser marcado por quem não tem onde cair morto é algo muito mais grave. E o jovem atacante do Santos e da seleção brasileira já foi acusado de fazer tudo isso. Se você não quer acreditar, é direito. Mas por favor, não o defenda dizendo que é “coisa do futebol”, o argumento clássico para casos ainda mais graves, como os de racismo.

Não sei o que você fazia aos 18 anos, mas se era algo assim espero que tenha mudado muito. Afinal de contas, ninguém num mundo paralelo demitiu um técnico para lhe dar razão. As coisas são diferentes aqui na vida real.

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Crônica final de uma queda-de-braço

Ledio Carmona



A única diferença do caso Neymar x Dorival Junior para outros tantos é que desta vez o medo da diretoria diante do craque, fato corriqueiro, histórico e, pelo jeito, insolúvel no futebol brasileiro, não teve dissimulação. Desde o primeiro minuto da pendenga, a cartolagem assumiu o lado do garoto mimado, bajulado,  imaturo e que confunde o esporte que joga com tênis. Numa quadra de saibro, de grama e de piso duro, o jogador só tem ele, várias bolas e um treinador bem longe a orientá-lo.  Perfeito para alguns boleiros…

Neymar, com seus conceitos egocêntricos e costume de ter um reino a paparicá-lo, deveria pegar a sua raquete e criar o MMN (Mundo Mágico do Neymar), algo parecido com uma Neymarolândia, onde o mais importante é se divertir, jogar muita bola, fazer gol, dar dribles espetaculares, cobrar pênaltis ridículos e ignorar o que pensa, o que faz e o que recomenda um treinador. Espécie de anarquia adolescente no mundo profissional do futebol.

Tudo estava bem divertido até que Neymar começou a ultrapassar seus linites. Com uma conta bancária turbinada desde os 13 anos, o projeto de craque passou a se considerar o rei. Exageros. Pênaltis cobrados com a patética cavadinha numa decisão de Copa do Brasil. Lençol em adversário com a bola parada. Simulações atrás de simulações. Acusação de menosprezo por parte dos adversários. E, capítulo final da temporada, xingamentos em pleno jogo na direção do treinador, do capitão e do público geral, que, perplexo, teve que acompanhar, ao vivo, aquele show histriônico, mal educado e repleto de insensatez.

Neymar, projeto de craque e talentoso até a alma – ele joga demais e não podemos ignorar essa realidade -, teve um azar no caso. Um técnico de cabeça e personalidade fracas teria posto panos quentes e absorvido o vexame. Dorival Junior, não. Grande treinador, acostumado a ser admirado por jogadores, sem perder hierarquias e o controle de normas e regras, pediu uma punição. Não aquela bobagem de multa que a diretoria do Santos quis aplicar a um menino rico. DJ queria puni-lo com o que ele mais sentiria falta: o direito de jogar bola. E não bastaria tirá-lo de um jogo sem glamour contra o Guarani. Se não jogasse o clássico contra o Corinthians, o castigo teria sido completo. Neymar sentiria. E a diretoria fraquejou, com medo de uma derrota contra o maior rival e ainda se sentindo desautorizada pelo treinador.

Dorival Junior poderia ter sido mais político? Poderia, mas se ele resolveu esticar a corda é que teve consciência de que, até aquele momento, a punição a Neymar não havia sido absorvida pelo garoto. O treinador só quis manter a ordem dentro do seu departamento e do Santos. Seu único erro, pelo que lemos nos noticiários (ainda não conseguir confirmar a informação), é que teria concordado em escalar Neymar, assumido o compromisso e depois voltado atrás. O hiato merece mais esclarecimentos.

Nesse ponto, o Santos também poderia ter sido mais maleável. Não foi. Preferiu demitir o melhor treinador que teve nos últimos anos. Preferiu entregar o poder a Neymar, seu boné para trás e seus inocentes 18 anos. E, sinceramente, no fim todos ficarão felizes. A diretoria do Santos; o empresário do jogador, sempre tão zeloso pelos seus interesses; patrocinadores, idem; Neymar, que poderá viver seu MMN na Vila Belmiro; e Dorival Junior, que, após ganhar dois títulos, deixa um clube cuja diretoria não entendeu sua forma de trabalhar, agir, viver e, principalmente, comandar.




terça-feira, 21 de setembro de 2010

ALESSANDRO FAZ ANIVERSÁRIO E RECEBE OVADA DE PRESENTE.

DESEMBARQUE DE UM LOUCO.












Amanhã enfrentaremos o Vasco
no Engenhão, apesar do mando
de campo cruzmaltino.
Foi contra o time da colina no
início do ano que Abreu
estreou, 
estreou com o manto alvinegro,
o que me faz recordar esse lindo texto.




“El Loco no estaba acá”

Alguns blogs amigos - Mundo Botafogo e Fogo Eterno, entre outros - publicaram na íntegra. Muitos leram e repercutiram. E, de fato, trata-se de uma crônica para ser guardada com carinho e para todo o sempre. Gustavo Poli, no GloboEsporte.com, gastou a pena com singular felicidade. Para a felicidade da arquibancada alvinegra, ao final de uma semana mais que feliz.

El Loco Penal
por Gustavo Poli
“Estamos em fevereiro. Magrelo como um louva-deus, cabelos longos e escorridos… Washington Sebastián chega à sede da Policia Federal com um funcionário do Botafogo. O uruguaio de 1,93m está ali para tirar o visto de trabalho. Ao se aproximar do posto, é reconhecido pela policial que, botafoguense, comenta:
-       Poxa, vê se ajuda a gente. Porque… nos últimos três anos foi só tristeza.
Washington Sebastián rebate:
-       El Loco no estaba acá.
A delegada sorri. E Washington Sebastián Abreu arremata:
-       Com El Loco acá… és campeón.
Dois meses depois, Washington Sebastián – ou mais popularmente El Loco Abreu –  cumpriu a promessa.  E cumpriu de forma inesquecível – transformando tensão em leveza.  Arrumou um jeito de eternizar um pênalti – de transformar o mais objetivo e seco dos lances numa imagem perene. A sutil parábola que enganou o goleiro Bruno tirou anos de peso das costas alvinegras. E entronizou Abreu instantaneamente no panteão de um clube peculiar.

O Botafogo é um clube de extremos. Pula da tragédia para a glória num estalar de dedos.  Não é preto e branco por acaso – até porque o acaso passa longe de General Severiano. O botafoguense é um pessimista que acredita no milagre. E acredita, sobretudo, que toda coincidência é um indício. Pobres de nós, pretensos especialistas, que não fomos capaz de enxergá-los.
Antes do Campeonato, o comentarista esportivo que dissesse que o Botafogo ganharia os dois turnos do Campeonato Carioca… seria internado no pinel e tratado à base de choque elétrico. O time era fraco, não tinha consistência nem elenco – e buscava se reconstruir com uma série de jogadores que não deram certo em outro lugar.
Para o olhar treinado, porém, os indícios do título improvável eram muitos. Fazia 21 anos da épica vitória maurícia em cima do Flamengo – e do fim do jejum de 21 anos sem título (num jogo repleto de referências ao número 21). O campeonato era de 2010  (olha o 21 de novo) – 100 anos depois do primeiro titulo que o clube comemorou, o de 1910, que lhe concedeu o apelido de Glorioso. No início do campeonato, após a goleada por 6 a 0 para o Vasco, um torcedor botou fogo na camisa do clube. Loco Abreu chegou – e trouxe sua superstição: usar a camisa 13. Recebeu a dita cuja das mãos de outro supertiscioso histórico, El Lobo Zagallo. Herrera, o outro atacante, também tem uma camisa off-11 – usa o numero 17. E o clube contratou Joel Santana – conhecido por seu futebol eficiente… e por sua inacreditável estrela.
Ora, direis, ouvir indícios… bom, é claro que há muito de lenda nessa sopa de números. Mas, para o Botafogo, 2010 era um oásis necessário. Nelson Rodrigues dizia que o botafoguense é um calabrês – que precisa da derrota para se realizar. Sim, mas não apenas. O Botafogo precisa do contraste – precisa do fundo do poço para o salto seguinte.

De 2007 a 2009, o Botafogo pagou um mico atrás do outro. Perdeu três decisões para o Flamengo, duas nos pênaltis. Antes da segunda derrota, veio o orangotango do pranto coletivo – que carimbou o time como “chorão”.  E ainda teve mais – em 2007, a derrota das calcinhas diante do River Plate e a eliminação na Copa do Brasil – depois de um frangaço; em  2008, o cartão vermelho afanado pelo zagueiro André Luís na Copa Sul-Americana.
Todo esse peso pareceu levitar naquela bola de Abreu. Durante o campeonato, perguntei a um dirigente do clube – que aqui ficará anônimo – se o uruguaio não era limitado demais. A resposta:
- O Abreu é para as finais. Ele não sente.
Bom, bota “não sente” nisso. A marca do pênalti era uma espécie de vulcão islandês do Botafogo. Todo mundo tinha medo de passar por perto. Dois dos três  títulos perdidos contra o Flamengo… foram perdidos na marca de cal. E perdidos diante de Bruno, o grande nêmesis alvinegro.

O goleiro foi o melhor jogador em campo na final de 2007. E o grande responsável pelo titulo de 2009 (pegou penais durante o jogo e na disputa decisiva) .
E, bom, esse era o cenário aos 27 minutos do segundo tempo de um jogo empatado em 1 a 1.  Jogo mascado. Da direita veio uma falta mal cobrada e um penal de rara infelicidade cometido pelo (quase) sempre cerebral Maldonado. Herrera havia cobrado o pênalti do primeiro tempo… logo, era de se esperar nova cobrança argentina. Mas não. Washington Sebastián pediu a bola. A tensão no Maracanã era quase palpável. Menos, ao que parece, para o dono da camisa 13.


Abreu tirou da cartola o pênalti muhamad ali – pairou como borboleta, picou como abelha – e entregou ao torcedor do Botafogo a imagem perene:  Bruno, mais que enganado – desenganado – no chão… enquanto a bola de rara picardia flutuava, beijava o travessão e caía nas redes… um momento youtubeinstantâneo, a redenção pelo tri-vice justamente num penal. E as palavras de Abreu ecoando na mente da policial federal:
-       El Loco no estaba acá.
El loco penal deixou o Maracanã direto para a galeria dos grandes gols decisivos do Campeonato Carioca. Nessa videoteca virtual, Loco Abreu pendurou seu quadro –  ao lado da barriga de Renato, da cabeçada de Rondinelli, da falta de Pet, do toque de Maurício, do balaço de Cocada… de todos aqueles gols que somos incapazes de esquecer. Lá está:  no dia 18 de abril de 2010, El Loco Abreu, camisa 13,  bateu um pênalti sorrindo, fez seu décimo-terceiro gol com a camisa do Botafogo e ganhou um campeonato.”